Estamos nos acostumando ainda com o recém-chegado ano de 2018 e deparamos com o aniversário da cidade de São Paulo. É quase como se a data, 25 de janeiro, fosse um aviso: o novo ano começou, mãos à obra. Além da constatação, mais ou menos genérica, de que a nossa cidade tem sido uma e muitas ao longo de seus mais de quatro séculos de existência, aproveito o momento para pensar as muitas dimensões de São Paulo.

 

O concreto

Prédios de concreto armado, vidros e metal desenham o horizonte da cidade. Antes deles, a imagem urbana projetada aqui era a dos casarões de alvenaria, construídos nos moldes da arquitetura europeia. Em nossa cidade, são as linhas dos prédios que se tornaram ícones da pujança paulista.

 

As instituições

A cidade existe nas muitas instituições que ela abriga: igrejas, empresas, bancos, universidades, hospitais, museus, movimentos sociais, governo etc. As instituições existem para tornar a vida na cidade possível. O apogeu das grandes civilizações são suas cidades. Instituições que funcionam bem tornam a vida dos cidadãos mais tranquila e feliz. Por outro lado, quando as instituições degeneram, a vida na cidade torna-se um fardo.

 

Os símbolos

A multidão deslizando pela Avenida Paulista rumo à Consolação; os carros parados nas marginais; a visão panorâmica da Avenida 23 de Maio; o Parque do Ibirapuera; as estações do metrô: a vida na cidade é feita de muitos símbolos. Alguns desses símbolos são do dia a dia, outros marcam comoções e mobilizações de caráter nacional.

 

As pessoas

São Paulo é as pessoas que nela vivem e por ela passam. As dimensões mencionadas acima só fazem sentido porque existem pessoas que lhes dão significado. O artista paulistano Alex Flemming criou para a Estação Sumaré do Metrô uma exposição com 22 faces de anônimos. São asiáticos, negros, brancos, homens e mulheres. São os personagens que fazem a história da cidade. É interessante se aproximar do retrato e perceber que em todos há um poema impresso. Cada pessoa que circula pela cidade tem a sua mensagem, a sua poesia própria.

 

Os relacionamentos

Um dos importantes fatores de atração das grandes cidades como São Paulo é o respeito à individualidade. Pessoas querem liberdade para ser o que desejam. Entretanto, os malefícios da liberdade individual são a solidão e o individualismo. Pessoas não existem sem famílias, e famílias não existem sem o suporte maior de comunidades. A nossa São Paulo é uma cidade de famílias, de amigos, de vizinhos, de colegas e de solidariedade.

 

As esperanças

Cada face carrega a sua esperança. As manifestações na Avenida Paulista ou na Praça Roosevelt, concordemos com elas ou não, apontam para mudanças em alguma direção. As instituições, sejam escolas, tribunais, hospitais ou igrejas, são procuradas para realização de alguma esperança: a qualificação profissional, a justiça, a saúde ou o contato com Deus.

Parabéns, São Paulo, pelos seus 464 anos de existência! Parabéns por ser uma e muitas ao mesmo tempo e para tanta gente!

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Por Rev. Valdinei Ferreira

Foto de André Tambucci / Fotos Públicas

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