Quando trouxeres a tua oferta, das tuas primícias oferecerás. (Levítico 2.14a)

Quando abrimos o livro de Êxodo no capítulo 23, dos versículos 14 a 16, encontramos as recomendações especíticas de Deus a respeito das Festas de Israel. Celebrações santas que deveriam ser comemoradas anualmente. Eram três. Uma delas, a Festa das Primícias. Havia todo um aparato religioso, um cerimonial profundamente significativo e espiritual que devia ser seguido à risca. É dele que pretendemos tirar algumas ideias para a celebração de nossa Festa das Primícias.

1. Havia dois tipos de oferta: o holocausto e o manjar. O holocausto, simbolizando a vida; o manjar, simbolizando os bens. Não podia haver um sem o outro. Nem o Senhor o aceitaria. O holocausto sem o manjar era vazio, assim como o manjar sem o holocausto era morto. Não pode haver oferenda dos bens sem a oferenda da vida e não há verdadeira oferenda da vida sem a oferenda dos bens. Onde há holocausto e manjar aí há primícias aos olhos do Senhor.

2. Nesta festa não podiam ser oferecidos produtos espontâneos. Em outras palavras, as oferendas deviam ser produtos cultivados da terra, isto é, deviam ser fruto do trabalho, do labor, da luta, do suor de cada dia. É por essa razão que o rei Davi, recebido e homenageado com grande alegria por Arauna, recebeu deste dois bois para sacrificá-los ao Senhor. Agradecendo as intenções do coração de seu hospedeiro, viu-se, no entanto, obrigado a dizer-lhe: “não oferecerei ao Senhor sacrifícios que não me custem nada”. Só a oferenda que trás o selo do sacrifício é primícia aos olhos do Senhor.

3. Primícias quer dizer “os primeiros frutos”. Assim, o Senhor em primeiro lugar e ao Senhor as primeiras coisas. O primeiro filho, o primeiro boi, o primeiro jumento, o primeiro carneiro, o primeiro cabrito, o primeiro pombo, a primeira rola, a primeira espiga de milho. Ao Senhor as primícias, nunca o resto. Foi isto que Cristo tornou evangélico quando disse no seu célebre sermão: “buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça e todas as demais coisas (todo o resto) vos será acrescentado (será dado)”. Nós invertemos a equação: primeiro nós, os nossos problemas, as nossas necessidades e, depois, por via das dúvidas, buscamos Deus para ficar ao nosso lado. É por isso que perdemos Deus e nos perdemos em nossos problemas.

4. Todos podiam e deviam fazer as suas oferendas. “Ninguém compareça diante de mim de mãos vazias”, diz o texto de Êxodo. Quem não tinha o boi, podia oferecer a ovelha, quem não tinha a ovelha podia oferecer o pombo, até a espiga de milho tostada no fogo. Mas todos deviam trazer as suas primícias. Não importa o que podemos oferecer, o que importa, e Deus exige, é que ofereçamos a primícia do que temos, por mais simples e humilde que possa ser. Este foi o sentido da oferenda da viúva elogiada por Jesus. Esta foi a oferenda de José e Maria (um par de rolas ou dois pombinhos) quando compareceram diante do sacerdote para a consagração do menino Jesus.

5. Mas havia, por fim, o incenso. Davi dizia: “Senhor, que as minhas orações subam como incenso à tua presença». E João, o vidente de Patmos, fala das “salvas de ouro cheias de incenso que são as orações dos santos”. Assim, o holocausto e os manjares deviam ser cobertos pelo incenso. É a oração da dedicação, da consagração. A entrega das nossas primícias não pode nem deve ser um ato mecânico e obrigatório, mas um abrir-se e entregar-se de corpo e alma ao Senhor. Isto é primícia aos seus olhos.

6. Mas as primícias eram prenúncio de colheita abundante. Assim, a Festa das Primícias deve ser sinal e promessa de colheita e fartura. Deus assim o deseja, e porque Ele o deseja pode tudo isso ser transformado em realidade na vida de seu povo e de sua Igreja. Que a Festa das Primícias que celebramos em nossa Igreja, no domingo que se segue ao Dia Nacional de Ação de Graças, possa ser o prenúncio glorioso de um ano próximo cheio de bênçãos para nós e de nova vida para a sua Igreja, para a Primeira Igreja.

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Por Rev. Abival Pires da Silveira

Extraído do boletim de 26/11/1978, 1a Festa das Primícias.

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