És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? (Daniel 5.13b)

Tudo parecia correr bem na festa do rei Belsazar, até que o semblante dele começou a ficar diferente. Uma parede do palácio estava iluminada pelo candeeiro e dedos começaram a escrever algo. O rei foi ficando cada vez mais perturbado. Suas pernas tremiam e o medo estava estampado no seu rosto. Que estaria escrito na parede? O que estava acontecendo?

Belsazar, acostumado a dar ordens, convocou os feiticeiros e os encantadores. Entretanto, os especialistas nas ciências ocultas desconheciam o significado daquilo que estava escrito na parede. A rainha-mãe sugeriu para Belsazar que Daniel fosse chamado para decifrar o mistério.

Quem entra já não é o moço, mas Daniel, o velho. Belsazar pergunta para ele: És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? (Dn 5.13b) Daniel havia sido levado para a Babilônia ainda adolescente. No reinado de Belsazar, ele já era um ancião, um homem na casa dos 80 anos. Já havia se retirado da vida pública. Daniel tinha conhecido a Babilônia no esplendor do reinado de Nabucodonosor e assistia, no período de Belsazar, aos últimos suspiros do grande reino da Babilônia. Os anos haviam passado. Os seus cabelos estavam brancos. O andar era mais lento. Mas era o mesmo Daniel. O mesmo amor a Deus. O mesmo desejo de honrar Deus em sua vida. A mesma confiança em que Deus é a fonte de toda sabedoria. “Es tu aquele Daniel?”

Daniel é um belo exemplo de alguém que passou a vida inteira servindo a Deus num ambiente hostil e não deixou que isso alterasse suas convicções nem seu caráter. Há muitas qualidades marcantes nele, ressalto duas:

IDENTIDADE

Depois de mais de seis décadas na Babilônia, do curso intensivo na academia real e de ocupar altos postos no governo, Daniel continuava sendo Daniel. Beltessazar, nome que lhe fora dado na Babilônia, não foi mais que um apelido que não colou. Daniel ilustra com perfeição o que disse Jesus em João 17:

Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. (Jo 17.15-16)

Daniel estava na Babilônia, abençoou a Babilônia com seu serviço, mas ele sabia qual era a sua identidade.

INTEGRIDADE

Jovem, Daniel recusou as finas iguarias da mesa do rei. Velho, Daniel continuava mantendo sua integridade. Veja:

Então, respondeu Daniel e disse na presença do rei: Os teus presentes fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outrem… (Dn 5.17)

A integridade de Daniel vinha de seu amor a Deus. Era a comunhão profunda com Deus que não permitia que o amor às riquezas, ao poder ou à fama se abrigassem no coração dele. Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração, disse Jesus. Mas a integridade de Daniel sustentava-se também na sua visão da história. Ele sabia que todos os impérios terminam e ele havia escolhido pertencer a um reino que jamais teria fim.

Mais um ano começou. Mudanças são inevitáveis na vida de todos, porém, a essência do cristão deve resistir ao tempo e ao ambiente hostil.

…..

Por Rev. Valdinei Ferreira

Foto do Editorial: Estátua do profeta Daniel, parte dos Doze Profetas feitas em pedra sabão por Aleijadinho em frente da igreja do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas, Minas Gerais, Brasil. Foto de Eric Gaba (Usuário no Wikimedia Commons: Sting)

Compartilhar via: