Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. […] Eu sou o pão da vida. (João 6.26,48)

Dezembro chegou e com ele chegam as festas de fim de ano, com presentes, confraternizações e muita comida. Antes de se lançar na correria típica desta época, convido você para refletir sobre três tipos de pessoas famintas.

Famintas por coisas

Seja a fome pelo básico ou a fome pelo que chamamos de supérfluo. Aliás, o escritor Umberto Eco afirmou que, numa sociedade capitalista, “o supérfluo parece ser a única coisa necessária”, e a atriz Ingrid Guimarães, no tom típico dos humoristas, disse: “eu só compro o básico, o problema é que eu preciso de muita coisa básica”.

É evidente que um estômago vazio precisa de pão, e a pele frágil precisa de algo que a cubra. O problema não foi e nunca será que precisemos de coisas materiais, que tenhamos fome de pão e beleza, para usar uma expressão familiar. O problema é achar que só precisamos disto. Quando pensamos assim, somos tomados pela loucura do rico insensato da Parábola contada por Jesus e registrada em Lucas 12.19-21.

Famintas por regras

O segundo tipo de pessoas famintas é aquele que busca regras, principalmente regras religiosas. Tendo ouvido a exortação de Jesus de que não deveriam buscar o alimento que perece, mas aquele que é imperecível, imediatamente perguntaram: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” (João 6.28).

Se aqueles que estão famintos por coisas, em geral, são indiferentes à religião, aqueles que têm fome de regras são sensíveis à religião. O problema está no fato de que se interessam mais pela lei do que pelo propósito da lei, se interessam mais pela lei do que pela vida. O grande perigo deste tipo de fome é transformar a salvação numa conquista pessoal e não percebê-la como dádiva.

Famintas por sensações

O terceiro grupo de famintos é composto por aqueles que estão com fome de sensações. O grande alvo da vida não é ter ou obedecer, mas sentir, experimentar algo. São aqueles que perguntam para Jesus: “Que sinal miraculoso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás?” (João 6.30 NVI). Na versão religiosa, esta fome tem interesse no poder de Deus, nos milagres, na excitação religiosa e na adrenalina religiosa. Para os não-religiosos, interessa-lhes o prazer pelo prazer, o êxtase, a velocidade e tudo o mais que possa propiciar sensações intensas.

Famintos por coisas e por sensações podem experimentar frustração semelhante à do rei Salomão, que afirmou não ter negado nada aos seus olhos e nenhum prazer aos sentidos, mas ao final concluiu que tudo era inútil e uma corrida vã atrás do vento. Famintos por regras podem experimentar a frustração do filho mais velho da parábola do Pródigo que disse: “Há tantos anos que te sirvo” (Lucas 15.11-32).  Famintos por regras podem viver exteriormente uma vida exemplar, mas nunca saberão o que é o abraço e o beijo do Pai e nunca entenderão: “tudo que é meu é teu, meu filho”.

…..

Por Rev. Valdinei A. Ferreira

Compartilhar via: