Devocionais

Natal: um canto de esperança

“Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.” Lucas 1.46-47

Vivemos em um mundo tóxico e, muitas vezes, ao lado de pessoas tóxicas. Isto significa que são despejados sobre a nossa cabeça, todos os dias, medo, preocupações e desconfiança. Temos de decidir o que vai ocupar o espaço na nossa mente: o material contaminado que circula entre nós ou o louvor a Deus. Se você se fixar naquilo que está ao seu redor, ficará amedrontado e desanimado; se fixar seu olhar em si, ficará decepcionado e deprimido; mas se sentirá encorajado e amparado se erguer seus olhos para Deus.

O cântico natalino é um modo de concentrar a atenção em Deus, naquilo que Ele fez, faz e fará por você. Foi essa a atitude de Maria no seu cântico: “a minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra nEle…”. Se você quer vencer os seus medos, agarre-se às promessas de Deus. O Natal é o cumprimento da maior de todas as promessas: Deus veio habitar entre nós.

Séculos se passaram entre as primeiras promessas e o dia do nascimento de Jesus. Deus estava no controle de todas as coisas. José e Maria sentiram o chão sendo retirado dos seus pés. O peito ficou apertado pelo medo e pela angústia de circunstâncias tão inusitadas. E a notícia do recenseamento decretado por Herodes? Viajar para Belém com Maria nas últimas semanas da gravidez deve ter parecido uma ideia insensata. Chegaram em Belém. Que alívio, pensaram eles. Mas não havia lugar para eles na hospedaria da cidade! Você já fez uma viagem, ou passou por uma fase na vida, em que tudo parece dar errado? José e Maria fizeram esse tipo de viagem. 

Às vezes, os sonhos que Deus põe no coração de seus filhos levam para uma estrebaria e não para um hotel cinco estrelas. Significa que Ele não nos ama? Significa que Ele não sabe o que está fazendo? Em momentos difíceis, Deus deseja apenas uma coisa de seus filhos: que se agarrem às promessas e confiem nele de todo coração.

Quais são os seus medos neste Natal?

  • Medo de passar necessidades?
  • Medo de ficar doente?
  • Medo de ser humilhado ou reprovado pelos outros?
  • Medo de não ser amado?
  • Medo de ficar sozinho?

O anjo disse: “Maria, não tenha medo”. O anjo disse: “José, não tenha medo”. Tire o nome de José da frase e coloque o seu nome na frente. Tire o nome de Maria o coloque o seu nome.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Você tem fome de quê?

Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes. […] Eu sou o pão da vida. (João 6.26,48)

Dezembro chegou e com ele chegam as festas de fim de ano, com presentes, confraternizações e muita comida. Antes de se lançar na correria típica desta época, convido você para refletir sobre três tipos de pessoas famintas.

Famintas por coisas

Seja a fome pelo básico ou a fome pelo que chamamos de supérfluo. Aliás, o escritor Umberto Eco afirmou que, numa sociedade capitalista, “o supérfluo parece ser a única coisa necessária”, e a atriz Ingrid Guimarães, no tom típico dos humoristas, disse: “eu só compro o básico, o problema é que eu preciso de muita coisa básica”.

É evidente que um estômago vazio precisa de pão, e a pele frágil precisa de algo que a cubra. O problema não foi e nunca será que precisemos de coisas materiais, que tenhamos fome de pão e beleza, para usar uma expressão familiar. O problema é achar que só precisamos disto. Quando pensamos assim, somos tomados pela loucura do rico insensato da Parábola contada por Jesus e registrada em Lucas 12.19-21.

Famintas por regras

O segundo tipo de pessoas famintas é aquele que busca regras, principalmente regras religiosas. Tendo ouvido a exortação de Jesus de que não deveriam buscar o alimento que perece, mas aquele que é imperecível, imediatamente perguntaram: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” (João 6.28).

Se aqueles que estão famintos por coisas, em geral, são indiferentes à religião, aqueles que têm fome de regras são sensíveis à religião. O problema está no fato de que se interessam mais pela lei do que pelo propósito da lei, se interessam mais pela lei do que pela vida. O grande perigo deste tipo de fome é transformar a salvação numa conquista pessoal e não percebê-la como dádiva.

Famintas por sensações

O terceiro grupo de famintos é composto por aqueles que estão com fome de sensações. O grande alvo da vida não é ter ou obedecer, mas sentir, experimentar algo. São aqueles que perguntam para Jesus: “Que sinal miraculoso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás?” (João 6.30 NVI). Na versão religiosa, esta fome tem interesse no poder de Deus, nos milagres, na excitação religiosa e na adrenalina religiosa. Para os não-religiosos, interessa-lhes o prazer pelo prazer, o êxtase, a velocidade e tudo o mais que possa propiciar sensações intensas.

Famintos por coisas e por sensações podem experimentar frustração semelhante à do rei Salomão, que afirmou não ter negado nada aos seus olhos e nenhum prazer aos sentidos, mas ao final concluiu que tudo era inútil e uma corrida vã atrás do vento. Famintos por regras podem experimentar a frustração do filho mais velho da parábola do Pródigo que disse: “Há tantos anos que te sirvo” (Lucas 15.11-32).  Famintos por regras podem viver exteriormente uma vida exemplar, mas nunca saberão o que é o abraço e o beijo do Pai e nunca entenderão: “tudo que é meu é teu, meu filho”.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Festa das Primícias

Quando trouxeres a tua oferta, das tuas primícias oferecerás. (Levítico 2.14a)

Quando abrimos o livro de Êxodo no capítulo 23, dos versículos 14 a 16, encontramos as recomendações especíticas de Deus a respeito das Festas de Israel. Celebrações santas que deveriam ser comemoradas anualmente. Eram três. Uma delas, a Festa das Primícias. Havia todo um aparato religioso, um cerimonial profundamente significativo e espiritual que devia ser seguido à risca. É dele que pretendemos tirar algumas ideias para a celebração de nossa Festa das Primícias.

1. Havia dois tipos de oferta: o holocausto e o manjar. O holocausto, simbolizando a vida; o manjar, simbolizando os bens. Não podia haver um sem o outro. Nem o Senhor o aceitaria. O holocausto sem o manjar era vazio, assim como o manjar sem o holocausto era morto. Não pode haver oferenda dos bens sem a oferenda da vida e não há verdadeira oferenda da vida sem a oferenda dos bens. Onde há holocausto e manjar aí há primícias aos olhos do Senhor.

2. Nesta festa não podiam ser oferecidos produtos espontâneos. Em outras palavras, as oferendas deviam ser produtos cultivados da terra, isto é, deviam ser fruto do trabalho, do labor, da luta, do suor de cada dia. É por essa razão que o rei Davi, recebido e homenageado com grande alegria por Arauna, recebeu deste dois bois para sacrificá-los ao Senhor. Agradecendo as intenções do coração de seu hospedeiro, viu-se, no entanto, obrigado a dizer-lhe: “não oferecerei ao Senhor sacrifícios que não me custem nada”. Só a oferenda que trás o selo do sacrifício é primícia aos olhos do Senhor.

3. Primícias quer dizer “os primeiros frutos”. Assim, o Senhor em primeiro lugar e ao Senhor as primeiras coisas. O primeiro filho, o primeiro boi, o primeiro jumento, o primeiro carneiro, o primeiro cabrito, o primeiro pombo, a primeira rola, a primeira espiga de milho. Ao Senhor as primícias, nunca o resto. Foi isto que Cristo tornou evangélico quando disse no seu célebre sermão: “buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça e todas as demais coisas (todo o resto) vos será acrescentado (será dado)”. Nós invertemos a equação: primeiro nós, os nossos problemas, as nossas necessidades e, depois, por via das dúvidas, buscamos Deus para ficar ao nosso lado. É por isso que perdemos Deus e nos perdemos em nossos problemas.

4. Todos podiam e deviam fazer as suas oferendas. “Ninguém compareça diante de mim de mãos vazias”, diz o texto de Êxodo. Quem não tinha o boi, podia oferecer a ovelha, quem não tinha a ovelha podia oferecer o pombo, até a espiga de milho tostada no fogo. Mas todos deviam trazer as suas primícias. Não importa o que podemos oferecer, o que importa, e Deus exige, é que ofereçamos a primícia do que temos, por mais simples e humilde que possa ser. Este foi o sentido da oferenda da viúva elogiada por Jesus. Esta foi a oferenda de José e Maria (um par de rolas ou dois pombinhos) quando compareceram diante do sacerdote para a consagração do menino Jesus.

5. Mas havia, por fim, o incenso. Davi dizia: “Senhor, que as minhas orações subam como incenso à tua presença». E João, o vidente de Patmos, fala das “salvas de ouro cheias de incenso que são as orações dos santos”. Assim, o holocausto e os manjares deviam ser cobertos pelo incenso. É a oração da dedicação, da consagração. A entrega das nossas primícias não pode nem deve ser um ato mecânico e obrigatório, mas um abrir-se e entregar-se de corpo e alma ao Senhor. Isto é primícia aos seus olhos.

6. Mas as primícias eram prenúncio de colheita abundante. Assim, a Festa das Primícias deve ser sinal e promessa de colheita e fartura. Deus assim o deseja, e porque Ele o deseja pode tudo isso ser transformado em realidade na vida de seu povo e de sua Igreja. Que a Festa das Primícias que celebramos em nossa Igreja, no domingo que se segue ao Dia Nacional de Ação de Graças, possa ser o prenúncio glorioso de um ano próximo cheio de bênçãos para nós e de nova vida para a sua Igreja, para a Primeira Igreja.

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Por Rev. Abival Pires da Silveira

Extraído do boletim de 26/11/1978, 1a Festa das Primícias.

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A reforma da vez

Então, apregoei ali um jejum… para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso. (Esdras 8.21)

Em 31 de outubro de 1517, foram pregadas à porta de Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses do monge agostiniano Martinho Lutero. A data tornou-se a referência principal do amplo movimento de reformas da igreja cristã no mundo ocidental. Durante este mês de outubro, os cultos dominicais e as atividades serão dedicados a celebrar o 5o Centenário da Reforma. Peço sua atenção para a convocação feita pelo Conselho de nossa Igreja para o dia 31 (terça-feira).

O Conselho da Primeira Igreja reuniu-se no dia 26/09/2017 e decidiu:

1. Convocar a Primeira Igreja para dedicar o próximo dia 31 de outubro à oração e ao jejum. É dia para dar graças a Deus pelo legado da Reforma e interceder em oração pelo Brasil.

2. Manter o templo aberto durante todo o dia 31. As portas estarão abertas a partir das 8h para leituras bíblicas, orações e louvores a Deus.

3. Realizar no dia 31, às 20h, ato público para registro do legado espiritual e civilizatório da Reforma Protestante e dar início à mobilização permanente, de natureza apartidária, em favor de uma reforma política de verdade para o Brasil.

As sociedades em que a igreja cristã foi reformada à luz da Palavra de Deus foram grandemente abençoadas com outras reformas: econômica, política e social. A Reforma da vida da Igreja cristã em 1517 sempre transbordou os limites da própria igreja, alcançando a sociedade. O Brasil vive um momento histórico dramático, e a percepção geral é que o atual sistema político é solo fértil para crescimento somente de espinheiros (Juízes 9). Não celebraremos dignamente o legado da Reforma Protestante se fizermos menção das conquistas civilizatórias do passado, mas fecharmos os olhos para os desafios dos nossos dias. O grande desafio de nosso tempo é uma reforma política de verdade.

Ao longo desses mais de 150 anos de existência, nossa Igreja firmou posição contra a escravidão, deu as boas-vindas à República, defendeu o voto feminino, entre tantas lutas em favor da justiça. O desafio do século XXI é a reforma política para que haja democracia de verdade em nosso país. A Primeira Igreja, como uma das mais antigas igrejas reformadas do País, está sendo chamada a levantar sua voz em favor de uma reforma ampla e estrutural nas regras da política brasileira.

Como você pode participar? Ore diariamente pelo nosso país. Reserve o dia 31 (inteiro ou parte dele) para vir ao templo e dedicar um tempo em oração de gratidão pelos 500 anos da Reforma. Divulgue e compareça no dia 31, às 20h, para apoiar e engajar-se no Movimento Cívico Apartidário pela Reforma Política de Verdade.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Escola Dominical: lugar de renovação da mente

Paulo escreve: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12.2). Há na mente de cada cristão uma verdadeira batalha entre conformar-se com a presente ordem e ser transformado por Deus. Mas o que é exatamente a conformação com este século?  Paulo utiliza para este conceito uma palavra grega que também pode ser traduzida por esquema. Portanto, no sentido paulino, conformar-se é render-se às pressões externas e curvar-se diante dos esquemas contrários à vontade de Deus.

Se a principal característica da conformação é a pressão externa sobre o cristão, Paulo dirá que, em oposição, a transformação é um processo de dentro para fora. Se a palavra para conformação é esquema, a palavra grega para transformação é metamorfose, ou seja, trata-se de transformação interior. Metamorfose significa assumir com liberdade e sem constrangimentos o plano original de Deus para nossa vida. A batalha entre conformar-se ou ser transformado dá-se na mente do cristão e, para que haja transformação, é preciso que haja renovação da mente.

Em nossa visão cultural, marcada pelo individualismo, equivocadamente entendemos que a transformação da mente é uma batalha que cada cristão luta solitariamente ao longo de sua vida. Entretanto, quando prosseguimos na leitura de Romanos 12, encontramos a explanação do apóstolo Paulo a respeito dos dons e especificamente a respeito do dom do ensino. Assim escreveu: “… o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Romanos 12.7). O professor da Escola Dominical é um instrumento nas mãos de Deus para ajudar cada cristão no processo de transformação da mente.

Um dos grandes problemas de nosso tempo é o excesso de informações somado à falta de critérios para filtrá-las. A Escola Dominical, no contexto atual, é um lugar de resistência, uma vez que nela não se busca entretenimento informacional, mas sabedoria para discernir a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. É correto afirmar, parafraseando John Sawhill, que uma Igreja não se define somente pelas suas inovações, mas também por aquilo que se recusa a destruir. Em um mundo cada vez mais afogado no dilúvio de informações, a Escola Dominical revela-se um lugar cada vez mais relevante para autêntica transformação interior. 

Parabéns a todos os professores e alunos da Escola Dominical de nossa Igreja!

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Deus está com você

“Porquanto eu hei de ser contigo” (Juízes 6.16)

 

Gideão foi o juiz que libertou o povo de Israel da opressão dos midianitas. Os israelitas estavam passando por uma fase muito difícil e ninguém mais via solução. Os midianitas tinham tomado conta do país, oprimiam o povo e roubavam o produto da colheita dos campos e todos os animais. Foi para livrar o povo de Israel da mão dos inimigos que o Senhor chamou Gideão.

No momento do chamado, Gideão se sentiu tão incapaz que procurou escapar da missão dada por Deus, alegando que era de uma família insignificante, de uma tribo pouco importante.

Os argumentos de Gideão eram contundentes. Sua família era a mais pobre da tribo, ou seja, ele não tinha recursos para armar um exército capaz de enfrentar os midianitas. Além do mais, Gideão era o caçula da sua casa, se fosse o primogênito seria diferente, afinal, todas as decisões da família passavam pelo irmão mais velho, ao passo que o mais novo não tinha voz nem vez. No entanto, de todos os israelitas que estavam clamando, Deus escolheu justamente o menor, o mais fraco, o que não tinha nenhuma capacidade em si mesmo para enfrentar o inimigo. Deus sempre sabe o que está fazendo e há uma razão para Suas escolhas.

O anjo do Senhor disse a Gideão: “Porquanto eu hei de ser contigo”. Esta foi uma palavra forte de vitória e, a partir daí, Gideão se deu conta de que estava falando com o próprio Deus e que ele havia achado graça diante do Senhor.

Assim como Deus falou com Gideão quando este disse que não poderia libertar o povo, ele fala com você também. Pode ser que você se considere o menor entre todos, mas não é assim para Deus. Lembre-se sempre de que o Todo-Poderoso estará com você.

Deus ainda hoje procura homens e mulheres que estejam dispostos a fazer algo em benefício do próximo e da sua Criação. Ele não quer que sejamos eficientes de uma hora para outra. O Senhor nos quer exatamente como somos e como estamos neste momento: em dúvida, com medo, passando por situações difíceis. A única coisa que Ele deseja é que estejamos disponíveis para o aprendizado. Quando Jesus convidou os discípulos para segui-lo, ele sabia que todos tinham muito o que aprender sobre fé, amor, paciência. O próprio Jesus despertaria neles todas estas coisas.

Quando você se sentir incapacitado, ou achar que já fez tudo o que poderia fazer, lembre-se de que Deus está com você e a única coisa você precisa fazer é acreditar. Gideão de fato acreditou. Que possamos também fazer o mesmo – crer e obedecer a este Deus que dia após dia nos chama e nos mostra que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos. (Efésios 3.20)

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Por Rev. Denise Coutinho Gomes

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