Devocionais

A reforma da vez

Então, apregoei ali um jejum… para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso. (Esdras 8.21)

Em 31 de outubro de 1517, foram pregadas à porta de Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses do monge agostiniano Martinho Lutero. A data tornou-se a referência principal do amplo movimento de reformas da igreja cristã no mundo ocidental. Durante este mês de outubro, os cultos dominicais e as atividades serão dedicados a celebrar o 5o Centenário da Reforma. Peço sua atenção para a convocação feita pelo Conselho de nossa Igreja para o dia 31 (terça-feira).

O Conselho da Primeira Igreja reuniu-se no dia 26/09/2017 e decidiu:

1. Convocar a Primeira Igreja para dedicar o próximo dia 31 de outubro à oração e ao jejum. É dia para dar graças a Deus pelo legado da Reforma e interceder em oração pelo Brasil.

2. Manter o templo aberto durante todo o dia 31. As portas estarão abertas a partir das 8h para leituras bíblicas, orações e louvores a Deus.

3. Realizar no dia 31, às 20h, ato público para registro do legado espiritual e civilizatório da Reforma Protestante e dar início à mobilização permanente, de natureza apartidária, em favor de uma reforma política de verdade para o Brasil.

As sociedades em que a igreja cristã foi reformada à luz da Palavra de Deus foram grandemente abençoadas com outras reformas: econômica, política e social. A Reforma da vida da Igreja cristã em 1517 sempre transbordou os limites da própria igreja, alcançando a sociedade. O Brasil vive um momento histórico dramático, e a percepção geral é que o atual sistema político é solo fértil para crescimento somente de espinheiros (Juízes 9). Não celebraremos dignamente o legado da Reforma Protestante se fizermos menção das conquistas civilizatórias do passado, mas fecharmos os olhos para os desafios dos nossos dias. O grande desafio de nosso tempo é uma reforma política de verdade.

Ao longo desses mais de 150 anos de existência, nossa Igreja firmou posição contra a escravidão, deu as boas-vindas à República, defendeu o voto feminino, entre tantas lutas em favor da justiça. O desafio do século XXI é a reforma política para que haja democracia de verdade em nosso país. A Primeira Igreja, como uma das mais antigas igrejas reformadas do País, está sendo chamada a levantar sua voz em favor de uma reforma ampla e estrutural nas regras da política brasileira.

Como você pode participar? Ore diariamente pelo nosso país. Reserve o dia 31 (inteiro ou parte dele) para vir ao templo e dedicar um tempo em oração de gratidão pelos 500 anos da Reforma. Divulgue e compareça no dia 31, às 20h, para apoiar e engajar-se no Movimento Cívico Apartidário pela Reforma Política de Verdade.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Escola Dominical: lugar de renovação da mente

Paulo escreve: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12.2). Há na mente de cada cristão uma verdadeira batalha entre conformar-se com a presente ordem e ser transformado por Deus. Mas o que é exatamente a conformação com este século?  Paulo utiliza para este conceito uma palavra grega que também pode ser traduzida por esquema. Portanto, no sentido paulino, conformar-se é render-se às pressões externas e curvar-se diante dos esquemas contrários à vontade de Deus.

Se a principal característica da conformação é a pressão externa sobre o cristão, Paulo dirá que, em oposição, a transformação é um processo de dentro para fora. Se a palavra para conformação é esquema, a palavra grega para transformação é metamorfose, ou seja, trata-se de transformação interior. Metamorfose significa assumir com liberdade e sem constrangimentos o plano original de Deus para nossa vida. A batalha entre conformar-se ou ser transformado dá-se na mente do cristão e, para que haja transformação, é preciso que haja renovação da mente.

Em nossa visão cultural, marcada pelo individualismo, equivocadamente entendemos que a transformação da mente é uma batalha que cada cristão luta solitariamente ao longo de sua vida. Entretanto, quando prosseguimos na leitura de Romanos 12, encontramos a explanação do apóstolo Paulo a respeito dos dons e especificamente a respeito do dom do ensino. Assim escreveu: “… o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Romanos 12.7). O professor da Escola Dominical é um instrumento nas mãos de Deus para ajudar cada cristão no processo de transformação da mente.

Um dos grandes problemas de nosso tempo é o excesso de informações somado à falta de critérios para filtrá-las. A Escola Dominical, no contexto atual, é um lugar de resistência, uma vez que nela não se busca entretenimento informacional, mas sabedoria para discernir a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. É correto afirmar, parafraseando John Sawhill, que uma Igreja não se define somente pelas suas inovações, mas também por aquilo que se recusa a destruir. Em um mundo cada vez mais afogado no dilúvio de informações, a Escola Dominical revela-se um lugar cada vez mais relevante para autêntica transformação interior. 

Parabéns a todos os professores e alunos da Escola Dominical de nossa Igreja!

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Deus está com você

“Porquanto eu hei de ser contigo” (Juízes 6.16)

 

Gideão foi o juiz que libertou o povo de Israel da opressão dos midianitas. Os israelitas estavam passando por uma fase muito difícil e ninguém mais via solução. Os midianitas tinham tomado conta do país, oprimiam o povo e roubavam o produto da colheita dos campos e todos os animais. Foi para livrar o povo de Israel da mão dos inimigos que o Senhor chamou Gideão.

No momento do chamado, Gideão se sentiu tão incapaz que procurou escapar da missão dada por Deus, alegando que era de uma família insignificante, de uma tribo pouco importante.

Os argumentos de Gideão eram contundentes. Sua família era a mais pobre da tribo, ou seja, ele não tinha recursos para armar um exército capaz de enfrentar os midianitas. Além do mais, Gideão era o caçula da sua casa, se fosse o primogênito seria diferente, afinal, todas as decisões da família passavam pelo irmão mais velho, ao passo que o mais novo não tinha voz nem vez. No entanto, de todos os israelitas que estavam clamando, Deus escolheu justamente o menor, o mais fraco, o que não tinha nenhuma capacidade em si mesmo para enfrentar o inimigo. Deus sempre sabe o que está fazendo e há uma razão para Suas escolhas.

O anjo do Senhor disse a Gideão: “Porquanto eu hei de ser contigo”. Esta foi uma palavra forte de vitória e, a partir daí, Gideão se deu conta de que estava falando com o próprio Deus e que ele havia achado graça diante do Senhor.

Assim como Deus falou com Gideão quando este disse que não poderia libertar o povo, ele fala com você também. Pode ser que você se considere o menor entre todos, mas não é assim para Deus. Lembre-se sempre de que o Todo-Poderoso estará com você.

Deus ainda hoje procura homens e mulheres que estejam dispostos a fazer algo em benefício do próximo e da sua Criação. Ele não quer que sejamos eficientes de uma hora para outra. O Senhor nos quer exatamente como somos e como estamos neste momento: em dúvida, com medo, passando por situações difíceis. A única coisa que Ele deseja é que estejamos disponíveis para o aprendizado. Quando Jesus convidou os discípulos para segui-lo, ele sabia que todos tinham muito o que aprender sobre fé, amor, paciência. O próprio Jesus despertaria neles todas estas coisas.

Quando você se sentir incapacitado, ou achar que já fez tudo o que poderia fazer, lembre-se de que Deus está com você e a única coisa você precisa fazer é acreditar. Gideão de fato acreditou. Que possamos também fazer o mesmo – crer e obedecer a este Deus que dia após dia nos chama e nos mostra que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos. (Efésios 3.20)

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Por Rev. Denise Coutinho Gomes

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A nossa luta

… porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. (Efésios 6.12)

 

O apóstolo Paulo, grande conhecedor do império romano e dos poderes religiosos judaicos, escreveu o texto acima. Principados e potestades nada mais são do que os poderes ou princípios governantes, as estruturas vigentes ou, para usar uma palavra mais comum, o sistema, a cultura de uma sociedade. Você não vê o sistema, mas sabe que as pessoas governam dentro de um sistema, de uma determinada estrutura. A estrutura – o jeito de fazer as coisas – estava ali antes de chegarem os governantes de plantão e continuará ali depois que eles saírem de cena. “O rei morre, mas a realeza vive”, ou seja, as pessoas passam, mas a cultura perdura, o sistema sobrevive.

Quando se olha de fora, parece que a pessoa que ocupa um cargo tem todo o poder, mas percebe-se os limites e até certa impotência diante do poder estrutural e sistêmico que reina naquele campo quando se acessa a intimidade daquela pessoa. Não se trata de isentar governantes de sua responsabilidade pessoal em atos ilícitos, pois o pecado é sempre uma união entre pessoa e estrutura. O que se deve ter em mente é que os principados e as potestades contra os quais lutamos são estruturas, sistemas, tradições, jeitos e esquemas codificados – seja na política, na economia ou no dia a dia. É o sistema que muda pessoas para que as coisas continuem do mesmo jeito. A nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, isto é, contra um sistema invisível aos olhos, mas real; invisível aos olhos humanos, mas operante e poderosíssimo.

Houve uma época em que alguns segmentos evangélicos tornaram moda amarrar os demônios. Saíam identificando os chamados “espíritos territoriais” e amarravam demônios que, segundo eles, dominavam cidades e países e eram responsáveis pelas mazelas políticas e econômicas. Porém, representantes dessas correntes evangélicas entraram para a política e foram dominados por principados e potestades, ou seja, entraram no esquema, se deixaram corromper pelas estruturas reinantes, tornaram-se operadores do sistema.

L. Newbigin foi secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, e devo-lhe esta observação. Ele se perguntou: “Como os principados e as potestades podem ser abalados?”; “Como o poder pode ser despojado e colocado a serviço de Cristo?”. A resposta: “Apenas pelo poder do Evangelho, anunciado em palavras e incorporado em ações”. À luz disso, não se trata de tomar o poder. Roma e o poder imperial caíram não porque o trono de César foi conquistado por um cristão ou porque o Senado foi tomado por cristãos. Roma foi conquistada quando as vítimas se ajoelharam no Coliseu e oraram pelo imperador em nome de Jesus, diz Newbigin. Não se tratava de conquistar o poder do trono, tratava-se de desmascarar a lógica dos principados e das potestades. Tratava-se de substituir a lógica do poder pelo amor.

O Evangelho opera sob a lógica do poder do amor. Principados e potestades operam sob a lógica do amor ao poder. Na cruz, Cristo expôs a mesquinharia e a falta de horizontes de principados e potestades. Paulo escreveu:

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor […] e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. (Colossenses 1.13; 2.15)

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

Foto: Manifestação em Brasília em 15/03/2015. Lula Marques / Fotos Públicas

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Juntos na comunhão e na missão

“Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum…” (Atos 2.44)

 

O pecado é a história da divisão, a redenção é a história da união. O pecado fratura as relações entre os seres humanos, o  Evangelho restaura os relacionamentos. O pecado divide famílias e comunidades, o Evangelho aproxima e reconcilia famílias e comunidades. O pecado produz competição, o Evangelho produz cooperação. Em um mundo dividido e no qual as pessoas não conseguem mais ficar juntas, a Igreja tem um chamado muito especial, o chamado para que vivamos juntos, para que permaneçamos juntos, para que sirvamos  juntos.

O que nos torna Igreja e faz com que estejamos juntos é o Evangelho de Jesus Cristo. No relato do livro de Atos dos Apóstolos sobre a Igreja Primitiva, fica claro que estavam juntos aqueles que haviam se arrependido de seus pecados, haviam sido batizados em nome de Jesus, haviam recebido o Espírito Santo. Estamos juntos porque partilhamos a mesma fé em Jesus Cristo e pela boas-novas a nosso respeito. Que boas notícias são essas? Que os nossos pecados são perdoados em Jesus Cristo.

A vida em comunidade é essencial para o nosso testemunho cristão. Escolas de pensamento ético, inclusive aquelas que assumem um ponto de vista ateísta, podem e têm produzido alguns indivíduos de moral elevada e de comportamento ético irrepreensível. Mas tais escolas não produzem vida em comunidade como produz o Evangelho. Viver a dimensão comunitária da fé é uma parte fundamental do testemunho cristão.

Para que estamos juntos? Que faremos juntos? Que serviços prestaremos juntos? Responder tais perguntas é fundamental para se evitar uma visão espiritualizante, que fala em conversão, mas não fala em serviço ao próximo; assim como uma visão comunitarista, que fala da comunhão entre os irmãos, mas não proclama a necessidade de alimentar os famintos, de auxiliar os necessitados.

A Igreja não é um grupo de autoaperfeiçoamento moral ou de entretenimento religioso. A Igreja é uma comunidade que serve aos outros para glória e louvor de Deus. Enquanto Igreja, trabalhamos para que aqueles que tomam uma decisão por Cristo estabeleçam conexões com seus irmãos, recebam formação sólida na Palavra de Deus e sirvam na missão ao lado de outros cristãos. Só assim estaremos juntos para proclamar o amor de Deus com palavras e atitudes, como no livro de Atos: “Todos os que creram estavam juntos…”. 

Neste “Dia da Grande Comunhão”, quero convidar você para que se junte a nós! Se você já é membro desta Igreja, quero motivá-lo(a) a trilhar conosco o caminho de transformação: Decisão, Conexão, Formação e Missão.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Dia da Grande Comunhão

O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez. (Salmos 78.3-4)

 

Ser cristão é ter o coração grato pelo passado e repleto de esperança quanto ao futuro. No Dia da Grande Comunhão celebramos a organização da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em 1903. O nosso coração se enche de gratidão por tudo que Deus tem feito em nossa denominação. Nesse dia também recebemos à comunhão de nossa Igreja novos membros, e a esperança quanto ao futuro é a nota dominante em nosso coração. A igreja é  corpo vivo sustentado pelo Deus trino.

Peço sua atenção e participação nas atividades do Dia da Grande Comunhão, 06 de agosto de 2017, apresentadas abaixo. Destaco a inauguração do Espaço para os Adolescentes em nossa Igreja. Contamos hoje com cerca de 80 crianças matriculadas na Escola Dominical. Queremos que a visão “Cristo para as novas gerações” seja realidade entre nós. O desafio de criar um espaço e um currículo adequados aos adolescentes é expressão do cuidado da Primeira Igreja para que a formação recebida na família e na Igreja possa amadurecer na vida de cada adolescente. Oremos em favor dos adolescentes de nossa Igreja.

 

Programação

– 09h30 – 10h30: Aula em conjunto da Escola Dominical sobre o tema: “Violência e Religião”, com o Rev. José Cássio Martins, na Capela

– 09h30 – 10h30: Inauguração e café da manhã no espaço para os adolescentes, no subsolo do Edifício Eduardo Carlos Pereira

– 10h45 – 12h30: Culto matutino com participação do Coro Misto da Catedral, Orquestra Filarmônica Educacional Soarte e recepção de novos membros

– 12h45 – 15h00: Almoço no Salão Social e no 8º andar

– 15h30 – 16h30: 1º Encontro de Vozes Masculinas da Catedral, no templo

– 16h30 – 17h00: Momento de Memória do Sesquicentenário, na Capela

– 17h15 – 18h00: Café no Salão Social

– 18h00 – 19h30: Culto vespertino

Venha, com alegria, celebrar a infinita misericórdia e a incomensurável bondade de Deus para conosco.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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