Devocionais

Para onde caminha a história?

Que resposta você dá para a pergunta acima? Veja o que escreveu N.T. Wright: “A Bíblia conta inúmeras histórias, mas apenas uma história geral, uma única grande narrativa, que se oferece como a verdadeira história do mundo”. A grande história contada na Bíblia é apresentada em três afirmações: Criação, Queda e Redenção.

O mundo foi criado por Deus e deixou de ser aquilo que Deus planejou que fosse. Deus pôs em marcha um plano redentor que se realiza na pessoa de Jesus de Nazaré. Desse modo, para o cristão, o evento decisivo da história humana não se deu com a Renascença ou com a Reforma Protestante, em 1517. Tampouco foi a Queda da Bastilha, em 1789, evento central na Revolução Francesa. Para o cristão, o evento decisivo da história também não é o surgimento da democracia moderna nem a divisão dos poderes em três: executivo, legislativo e judiciário.

O evento decisivo da história se deu numa manhã de domingo, quando Jesus Cristo, que havia sido crucificado como mais um dos milhares de criminosos punidos pelas leis do Império Romano, ressuscitou dentre os mortos e apareceu aos seus discípulos. Este é o grande e decisivo evento da história mundial.

Não só por ser completamente inesperada, mas porque é diferente de tudo que ocorreu e pode ocorrer na história humana, a ressurreição de Jesus é surpreendente. Ressuscitando Jesus dentre os mortos, Deus confronta e desafia todas as narrativas imperiais, pois a ressurreição não fala de alguém conquistando pela força das armas ou do dinheiro, mas de Jesus crucificado e ressurreto, transformando o mundo por meio de seu amor sacrificial. O grande problema é que nós, cristãos, estamos esquecendo a grande história que a Bíblia conta e acabamos confusos no meio das muitas histórias de corrupção de nosso tempo. O que tirou e tira a vida humana dos trilhos é o pecado. O que põe a vida e a história humanas na direção da vontade de Deus é Cristo.

É possível perceber uma frustração crescente com a democracia. Isto não é exclusividade do Brasil. “Nossos sonhos não cabem em suas urnas” é uma frase utilizada nos protestos das multidões em diferentes países do mundo e expressa o mal-estar global com a democracia. Sonhos de um mundo com sentido e pleno de amor e respeito não cabem nas urnas, mas cabem no reino de Deus. Em Jesus a esperança de um mundo redimido tornou-se realidade.

Jürgen Habermas, um dos maiores filósofos da atualidade, escreveu: “Uma democracia liberal exige de seus cidadãos qualidades que ela não pode proporcionar”. Martin Luther King ilustrou esse dilema das democracias modernas ao afirmar, no contexto da luta pelo fim da segregação racial nos EUA, nos anos 1960, que o governo pode exigir que um homem branco receba negros em seu restaurante e pode impedir que brancos linchem negros, mas nenhum governo pode forçar uma pessoa branca a amar uma pessoa negra, pois isso exige transformação do coração. Diante da crise que atravessa o País e o mundo, somos chamados a afirmar com firmeza e serenidade: nossa redenção não virá da democracia, pois é a democracia que precisa ser redimida da corrupção do pecado. Cristo é nossa “sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1 Coríntios 1.30).

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por Rev. Valdinei A. Ferreira

Solidão

A solidão tem sido considerada uma epidemia moderna. Max Lucado foi preciso ao observar que solidão não é necessariamente a ausência de faces, mas a ausência de intimidade. A solidão não vem de estar sozinho, vem de se sentir sozinho. A solidão vem de se sentir enfrentando a vida, os desafios e o futuro sozinho. A saúde dos solitários paga um alto preço: alterações no sono, queda no sistema imunológico e aumento da pressão arterial são alguns dos problemas físicos agravados pelo isolamento.

É inevitável e universal a experiência da solidão. Você não se sentiu sozinho no seu primeiro dia de aula ou no seu primeiro dia de trabalho? Você já não se sentiu solitário(a) depois de levar um fora da namorada(o)? Portanto, a questão não é se você se sente ou não sozinho, mas o que faz nos momentos em que se sente sozinho.

Se a experiência da solidão é tão abrangente e possui tantas causas diferentes, perguntamo-nos: como é que se pode lidar com ela de forma saudável e proveitosa? Duas coisas são fundamentais: primeiro, tenha consciência de que há modos destrutivos de se lidar com a solidão e evite-os. São eles: viciar-se em trabalho, comprar compulsivamente, cultivar a autocomiseração. Essas atitudes agravarão os sentimentos e os efeitos negativos da solidão. Segundo: cultive atitudes positivas diante da solidão. Como isso é possível? Quais são essas atitudes? Vejamos algumas:

a) Tenha um propósito maior para sua vida – Não podemos fazer nossa felicidade depender de um único fator. Relacionamentos são importantes para nossa realização como seres humanos, mas há outras coisas importantes em nossa vida. Uma delas, certamente a mais importante, é ser fiel ao propósito da sua vida. O apóstolo Paulo, escrevendo na condição de prisioneiro, afirmou: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4.7).

b) Cuide de si mesmo – Não é porque alguém está sozinho que deva descuidar-se ou se maltratar. Você está sozinho, mas não precisa se castigar por isso. Não deixe de ir ao médico, de fazer exercícios, alimente-se bem etc.. É muito fácil que pessoas solitárias se deixem consumir por sentimentos de autocomiseração e autopunição.

c) Perdoe – Pior do que a solidão é o ressentimento. Sentir-se solitário e ainda alimentar ressentimento é receita certa para uma vida infeliz e miserável. Perdoe, dê uma segunda oportunidade para aqueles que fracassaram com você. Invista na reconstrução de amizades antigas e no cultivo de novos amigos.

Você se sente sozinho? Você está cercado de gente, mas ainda se sente sozinho? É importante que você saiba que Deus está ao seu lado e fará por você algo semelhante ao que fez por Paulo, que, se vendo abandonado por todos, afirmou: “… o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2 Timóteo 4.17).

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por Rev. Valdinei A. Ferreira

Família: ideia de Deus

Um dia Deus disse aos anjos:
– Tive uma ideia. Vou criar a família.
– O que é isso? – quis saber um anjo.
– Estou muito entusiasmado com a ideia – disse Deus.
– Claro, sempre me entusiasmo com todas as minhas ideias. Uma das grandes vantagens de ser Deus é nunca ter uma má ideia, mas esta é especial. Família será a maneira com que ligarei as pessoas ao amor. Funcionará assim: adultos se oferecerão para cuidar de um estranho pequenino.
– Serão pagos por isso? – perguntou o anjo.
– Não, esse estranho na verdade lhes custará muito dinheiro. E mais, não será capaz nem de falar, a princípio. Apenas chorará e gritará, e os adultos terão de adivinhar por quê. Perderão o sono. Ele fará o tempo todo bagunça que os outros terão de limpar. Será completamente vulnerável. Terá de ser vigiado vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Então, aos dois anos, o pequeno estranho conseguirá dizer palavras como “não” e “meu” e fará birra. Também estou pensando em inventar a puberdade. Ainda não me decidi sobre isso, mas, se o fizer, o serzinho receberá uma coisa esquisita chamada hormônios que o farão enlouquecer. Coisas estranhas acontecerão com o corpo dele. Haverá espinhas, a voz falhará e o sistema límbico derreterá. Depois crescerá e, justo quando for maduro, belo, interessante e capaz de contribuir, sairá de casa. Essa é a ideia. O que vocês acham?

Os anjos foram saindo de perto, olhando para os próprios pés. “Quem dirá para ele?”, pensaram.
– Senhor, quem se oferecerá para uma coisa dessa? Por que o fariam?
Nesse momento Deus se encheu de entusiasmo.
– Eles nem saberão por quê. Só olharão para o corpinho, as mãozinhas e os pezinhos e acharão que o pequeno estranho é lindo, embora se pareça com todos os outros bebês, e todos os bebês se pareçam com Winston Churchill. Até que um dia o pequeno estranho sorrirá, e eles pensarão que ganharam na loteria. O pequeno estranho dirá “papai” e “mamãe”, mas dirá “papai” primeiro porque os pais se sacrificam tanto e são tão nobres… Como eu os amo. Mas as mães também são boas. Ele dirá “papai” e “mamãe”, e então aqueles bracinhos e mãozinhas se abrirão, se estenderão e envolverão o pescoço do adulto, e esse adulto pela primeira vez na vida entenderá para que os braços e as mãos foram criados.

– Tudo isso na verdade tem a ver com graça – prosseguiu Deus. – As crianças, a nova geração, aprenderão que são estimadas e pertencem a alguém, tudo isso antes mesmo que tenham feito uma única coisa para merecê-lo. A velha geração aprenderá que, quando dão, recebem. Quando dão o máximo, recebem o máximo.
– E então um dia eu lhes direi: “Raça humana, eu sou seu Pai. Você é minha filha; você é meu filho”. Eles entenderão e se abrirão.

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por Rev. John Ortberg, em “Sendo quem eu quero ser”, p. 272-274.

Inspiração para tempos desafiadores

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu” (Josué 14.12).

Calebe nasceu no Egito e foi criado como escravo. Sob a liderança de Moisés, ele atravessou o Mar Vermelho rumo à terra prometida. Ao lado de Josué e outros dez, foi enviado para espionar o local. Viu uma terra maravilhosa. Voltou entusiasmadíssimo com todas as possibilidades que a região oferecia, porém os dez espias não pensavam como ele e Josué. Concordavam que a terra era fabulosa – terra que mana leite e mel –, mas para eles havia um grande problema: os homens que ali habitavam. Vencida a resistência inicial, sob a liderança de Josué e com o apoio de Calebe, Canaã foi conquistada.

Transcorridos 45 anos da primeira incursão de Calebe pelo território de Israel, ele já não era mais um moço. Calebe era, por ocasião do texto da epígrafe, o velho. Mas algumas coisas não haviam envelhecido nele: a confiança em Deus e o gosto pelos desafios. Consolidada a conquista da terra, chegou a hora de distribuí-las entre as tribos. Então Calebe disse para Josué: “Agora, pois, dá-me este monte…”.

Que homem de personalidade fascinante era Calebe! Ele não reivindicou uma parte daquilo que já havia sido conquistado, mas do que haveria de ser. Ele não só pediu o território menos acessível – uma região montanhosa –, mas com os inimigos mais difíceis de serem vencidos – os anaquins, homens que eram vistos como gigantes.

O momento em que estamos vivendo é muito difícil sob o ponto de vista econômico, político e social. Todos sabemos disso, e até aqui, nada de novo. Entretanto o grande perigo de um período histórico como esse que atravessamos é o desânimo. O problema é quando a crise que está do lado de fora vira a crise do lado de dentro, torna-se a crise da alma, e o desânimo se espalha como uma espécie de metástase por todas as áreas da nossa vida.

Conhecer a Palavra de Deus é fonte de inspiração para enfrentar os tempos difíceis. Calebe queria a região montanhosa de Hebrom. Os anos se passaram, Calebe suspirava e dizia: Deus ainda me dará aquele monte. Mais de quatro décadas se passaram, e lá estava Calebe dizendo para Josué: “sabe aquele monte…”. Esteja atento a esta verdade constante nas Escrituras e claramente testemunhada por Calebe: Deus não promete resultados imediatos, mas promete que nunca falhará com aqueles que confiam nele! Em geral, as coisas que mais desejamos e pelas quais trabalhamos arduamente são aquelas que mais demoram para se realizar em nossa vida. Tenha fé e vá em frente!

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por Rev. Valdinei A. Ferreira