Devocionais

A nossa luta

… porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. (Efésios 6.12)

 

O apóstolo Paulo, grande conhecedor do império romano e dos poderes religiosos judaicos, escreveu o texto acima. Principados e potestades nada mais são do que os poderes ou princípios governantes, as estruturas vigentes ou, para usar uma palavra mais comum, o sistema, a cultura de uma sociedade. Você não vê o sistema, mas sabe que as pessoas governam dentro de um sistema, de uma determinada estrutura. A estrutura – o jeito de fazer as coisas – estava ali antes de chegarem os governantes de plantão e continuará ali depois que eles saírem de cena. “O rei morre, mas a realeza vive”, ou seja, as pessoas passam, mas a cultura perdura, o sistema sobrevive.

Quando se olha de fora, parece que a pessoa que ocupa um cargo tem todo o poder, mas percebe-se os limites e até certa impotência diante do poder estrutural e sistêmico que reina naquele campo quando se acessa a intimidade daquela pessoa. Não se trata de isentar governantes de sua responsabilidade pessoal em atos ilícitos, pois o pecado é sempre uma união entre pessoa e estrutura. O que se deve ter em mente é que os principados e as potestades contra os quais lutamos são estruturas, sistemas, tradições, jeitos e esquemas codificados – seja na política, na economia ou no dia a dia. É o sistema que muda pessoas para que as coisas continuem do mesmo jeito. A nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, isto é, contra um sistema invisível aos olhos, mas real; invisível aos olhos humanos, mas operante e poderosíssimo.

Houve uma época em que alguns segmentos evangélicos tornaram moda amarrar os demônios. Saíam identificando os chamados “espíritos territoriais” e amarravam demônios que, segundo eles, dominavam cidades e países e eram responsáveis pelas mazelas políticas e econômicas. Porém, representantes dessas correntes evangélicas entraram para a política e foram dominados por principados e potestades, ou seja, entraram no esquema, se deixaram corromper pelas estruturas reinantes, tornaram-se operadores do sistema.

L. Newbigin foi secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, e devo-lhe esta observação. Ele se perguntou: “Como os principados e as potestades podem ser abalados?”; “Como o poder pode ser despojado e colocado a serviço de Cristo?”. A resposta: “Apenas pelo poder do Evangelho, anunciado em palavras e incorporado em ações”. À luz disso, não se trata de tomar o poder. Roma e o poder imperial caíram não porque o trono de César foi conquistado por um cristão ou porque o Senado foi tomado por cristãos. Roma foi conquistada quando as vítimas se ajoelharam no Coliseu e oraram pelo imperador em nome de Jesus, diz Newbigin. Não se tratava de conquistar o poder do trono, tratava-se de desmascarar a lógica dos principados e das potestades. Tratava-se de substituir a lógica do poder pelo amor.

O Evangelho opera sob a lógica do poder do amor. Principados e potestades operam sob a lógica do amor ao poder. Na cruz, Cristo expôs a mesquinharia e a falta de horizontes de principados e potestades. Paulo escreveu:

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor […] e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz. (Colossenses 1.13; 2.15)

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

Foto: Manifestação em Brasília em 15/03/2015. Lula Marques / Fotos Públicas

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Juntos na comunhão e na missão

“Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum…” (Atos 2.44)

 

O pecado é a história da divisão, a redenção é a história da união. O pecado fratura as relações entre os seres humanos, o  Evangelho restaura os relacionamentos. O pecado divide famílias e comunidades, o Evangelho aproxima e reconcilia famílias e comunidades. O pecado produz competição, o Evangelho produz cooperação. Em um mundo dividido e no qual as pessoas não conseguem mais ficar juntas, a Igreja tem um chamado muito especial, o chamado para que vivamos juntos, para que permaneçamos juntos, para que sirvamos  juntos.

O que nos torna Igreja e faz com que estejamos juntos é o Evangelho de Jesus Cristo. No relato do livro de Atos dos Apóstolos sobre a Igreja Primitiva, fica claro que estavam juntos aqueles que haviam se arrependido de seus pecados, haviam sido batizados em nome de Jesus, haviam recebido o Espírito Santo. Estamos juntos porque partilhamos a mesma fé em Jesus Cristo e pela boas-novas a nosso respeito. Que boas notícias são essas? Que os nossos pecados são perdoados em Jesus Cristo.

A vida em comunidade é essencial para o nosso testemunho cristão. Escolas de pensamento ético, inclusive aquelas que assumem um ponto de vista ateísta, podem e têm produzido alguns indivíduos de moral elevada e de comportamento ético irrepreensível. Mas tais escolas não produzem vida em comunidade como produz o Evangelho. Viver a dimensão comunitária da fé é uma parte fundamental do testemunho cristão.

Para que estamos juntos? Que faremos juntos? Que serviços prestaremos juntos? Responder tais perguntas é fundamental para se evitar uma visão espiritualizante, que fala em conversão, mas não fala em serviço ao próximo; assim como uma visão comunitarista, que fala da comunhão entre os irmãos, mas não proclama a necessidade de alimentar os famintos, de auxiliar os necessitados.

A Igreja não é um grupo de autoaperfeiçoamento moral ou de entretenimento religioso. A Igreja é uma comunidade que serve aos outros para glória e louvor de Deus. Enquanto Igreja, trabalhamos para que aqueles que tomam uma decisão por Cristo estabeleçam conexões com seus irmãos, recebam formação sólida na Palavra de Deus e sirvam na missão ao lado de outros cristãos. Só assim estaremos juntos para proclamar o amor de Deus com palavras e atitudes, como no livro de Atos: “Todos os que creram estavam juntos…”. 

Neste “Dia da Grande Comunhão”, quero convidar você para que se junte a nós! Se você já é membro desta Igreja, quero motivá-lo(a) a trilhar conosco o caminho de transformação: Decisão, Conexão, Formação e Missão.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Dia da Grande Comunhão

O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez. (Salmos 78.3-4)

 

Ser cristão é ter o coração grato pelo passado e repleto de esperança quanto ao futuro. No Dia da Grande Comunhão celebramos a organização da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em 1903. O nosso coração se enche de gratidão por tudo que Deus tem feito em nossa denominação. Nesse dia também recebemos à comunhão de nossa Igreja novos membros, e a esperança quanto ao futuro é a nota dominante em nosso coração. A igreja é  corpo vivo sustentado pelo Deus trino.

Peço sua atenção e participação nas atividades do Dia da Grande Comunhão, 06 de agosto de 2017, apresentadas abaixo. Destaco a inauguração do Espaço para os Adolescentes em nossa Igreja. Contamos hoje com cerca de 80 crianças matriculadas na Escola Dominical. Queremos que a visão “Cristo para as novas gerações” seja realidade entre nós. O desafio de criar um espaço e um currículo adequados aos adolescentes é expressão do cuidado da Primeira Igreja para que a formação recebida na família e na Igreja possa amadurecer na vida de cada adolescente. Oremos em favor dos adolescentes de nossa Igreja.

 

Programação

– 09h30 – 10h30: Aula em conjunto da Escola Dominical sobre o tema: “Violência e Religião”, com o Rev. José Cássio Martins, na Capela

– 09h30 – 10h30: Inauguração e café da manhã no espaço para os adolescentes, no subsolo do Edifício Eduardo Carlos Pereira

– 10h45 – 12h30: Culto matutino com participação do Coro Misto da Catedral, Orquestra Filarmônica Educacional Soarte e recepção de novos membros

– 12h45 – 15h00: Almoço no Salão Social e no 8º andar

– 15h30 – 16h30: 1º Encontro de Vozes Masculinas da Catedral, no templo

– 16h30 – 17h00: Momento de Memória do Sesquicentenário, na Capela

– 17h15 – 18h00: Café no Salão Social

– 18h00 – 19h30: Culto vespertino

Venha, com alegria, celebrar a infinita misericórdia e a incomensurável bondade de Deus para conosco.

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Razões para a alegria

Um sentimento que faz toda a diferença em nossa vida é a alegria. Ela faz bem à saúde física e emocional e é responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Triste é a pessoa que não encontra razões ou não tem motivos para se alegrar.

Em meio a tantas frustrações, insucessos, conflitos e estresse que estamos sujeitos, corremos sério risco de perder a capacidade de nos alegrar com as coisas simples em nosso dia a dia. Para muitas pessoas, é mais fácil ceder à tristeza do que lutar pela alegria. Há pessoas que, infelizmente, perderam completamente a noção e o significado da alegria em seu viver, não sabem ao menos o que fazer para ter alegria em seu coração.

A alegria é uma das características na vida do cristão. Ela faz parte da lista de frutos do Espírito (Gálatas 5.22). Certa vez, Jesus afirmou que quem quiser entrar no Reino de Deus deve se tornar como criança (Mateus 18.3). Uma das qualidades do ser criança é a alegria. Assim, se alguém é incluído, é contado e pertence ao Reino de Deus, há motivos suficientes para sentir alegria. De forma mais direta, Jesus também afirmou aos seus discípulos: “Tenho-vos dito estas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (João 15.11). O apóstolo Paulo, sabedor da relação intrínseca entre ser cristão e a alegria, recomendou a alegria e ensinou aos filipenses, mesmo em meio ao sofrimento: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4.4).

Na perspectiva cristã, a alegria não depende de compras, bens materiais, objetivos profissionais alcançados, presentes recebidos, viagem realizada, embora todas estas coisas proporcionem alegria e não são condenadas na Bíblia. Porém, a alegria na vida do cristão tem como fundamento a ação e as bênçãos de Deus: “Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz” (Romanos 15.13). Quero encerrar dando dois motivos para você se alegrar como cristão.

Ter a liberdade e a condição de cultuar a Deus é motivo de alegria. O povo de Israel sabia disto e enfaticamente dava o seguinte testemunho: “Alegrei-me quando me disseram, vamos à Casa do Senhor” (Salmo 122.1). Adorar e louvar a Deus, que é soberano, santo e excelso em glória, poder e majestade, a Deus que nos criou, que sustenta a nossa vida e que olha para nós e nos chama de filho ou filha, poder orar e dizer tudo o que sentimos e somos na certeza de que Ele nos ouve e tem cuidado de nós, são motivos suficientes para nos alegrarmos. No livro dos Salmos deparamos constantemente com o convite: “Batam palmas, todos os povos; aclamem a Deus com cantos de alegria” (Salmo 47.1).

A comunhão entre irmãos e irmãs na família da fé é outro motivo para nos alegrarmos. Ela nos mostra que não estamos sozinhos, e mesmo nas situações mais difíceis da vida, a alegria se faz presente pelo fato de termos irmãos e irmãs que oram por nós, estão ao nosso lado, nos consolam e nos ajudam a levantar e prosseguir. Assim, a comunhão entre irmãos proporciona alegria. A igreja de Cristo é formada de pessoas alegres. Qualquer coisa diferente disto retrata uma igreja enferma. A alegria é contagiante, une as pessoas, diminui a dor e caracteriza a presença de Deus.

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Por Rev. Reginaldo von Zuben

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Para onde caminha a história?

Que resposta você dá para a pergunta acima? Veja o que escreveu N.T. Wright: “A Bíblia conta inúmeras histórias, mas apenas uma história geral, uma única grande narrativa, que se oferece como a verdadeira história do mundo”. A grande história contada na Bíblia é apresentada em três afirmações: Criação, Queda e Redenção.

O mundo foi criado por Deus e deixou de ser aquilo que Deus planejou que fosse. Deus pôs em marcha um plano redentor que se realiza na pessoa de Jesus de Nazaré. Desse modo, para o cristão, o evento decisivo da história humana não se deu com a Renascença ou com a Reforma Protestante, em 1517. Tampouco foi a Queda da Bastilha, em 1789, evento central na Revolução Francesa. Para o cristão, o evento decisivo da história também não é o surgimento da democracia moderna nem a divisão dos poderes em três: executivo, legislativo e judiciário.

O evento decisivo da história se deu numa manhã de domingo, quando Jesus Cristo, que havia sido crucificado como mais um dos milhares de criminosos punidos pelas leis do Império Romano, ressuscitou dentre os mortos e apareceu aos seus discípulos. Este é o grande e decisivo evento da história mundial.

Não só por ser completamente inesperada, mas porque é diferente de tudo que ocorreu e pode ocorrer na história humana, a ressurreição de Jesus é surpreendente. Ressuscitando Jesus dentre os mortos, Deus confronta e desafia todas as narrativas imperiais, pois a ressurreição não fala de alguém conquistando pela força das armas ou do dinheiro, mas de Jesus crucificado e ressurreto, transformando o mundo por meio de seu amor sacrificial. O grande problema é que nós, cristãos, estamos esquecendo a grande história que a Bíblia conta e acabamos confusos no meio das muitas histórias de corrupção de nosso tempo. O que tirou e tira a vida humana dos trilhos é o pecado. O que põe a vida e a história humanas na direção da vontade de Deus é Cristo.

É possível perceber uma frustração crescente com a democracia. Isto não é exclusividade do Brasil. “Nossos sonhos não cabem em suas urnas” é uma frase utilizada nos protestos das multidões em diferentes países do mundo e expressa o mal-estar global com a democracia. Sonhos de um mundo com sentido e pleno de amor e respeito não cabem nas urnas, mas cabem no reino de Deus. Em Jesus a esperança de um mundo redimido tornou-se realidade.

Jürgen Habermas, um dos maiores filósofos da atualidade, escreveu: “Uma democracia liberal exige de seus cidadãos qualidades que ela não pode proporcionar”. Martin Luther King ilustrou esse dilema das democracias modernas ao afirmar, no contexto da luta pelo fim da segregação racial nos EUA, nos anos 1960, que o governo pode exigir que um homem branco receba negros em seu restaurante e pode impedir que brancos linchem negros, mas nenhum governo pode forçar uma pessoa branca a amar uma pessoa negra, pois isso exige transformação do coração. Diante da crise que atravessa o País e o mundo, somos chamados a afirmar com firmeza e serenidade: nossa redenção não virá da democracia, pois é a democracia que precisa ser redimida da corrupção do pecado. Cristo é nossa “sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1 Coríntios 1.30).

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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Solidão

A solidão tem sido considerada uma epidemia moderna. Max Lucado foi preciso ao observar que solidão não é necessariamente a ausência de faces, mas a ausência de intimidade. A solidão não vem de estar sozinho, vem de se sentir sozinho. A solidão vem de se sentir enfrentando a vida, os desafios e o futuro sozinho. A saúde dos solitários paga um alto preço: alterações no sono, queda no sistema imunológico e aumento da pressão arterial são alguns dos problemas físicos agravados pelo isolamento.

É inevitável e universal a experiência da solidão. Você não se sentiu sozinho no seu primeiro dia de aula ou no seu primeiro dia de trabalho? Você já não se sentiu solitário(a) depois de levar um fora da namorada(o)? Portanto, a questão não é se você se sente ou não sozinho, mas o que faz nos momentos em que se sente sozinho.

Se a experiência da solidão é tão abrangente e possui tantas causas diferentes, perguntamo-nos: como é que se pode lidar com ela de forma saudável e proveitosa? Duas coisas são fundamentais: primeiro, tenha consciência de que há modos destrutivos de se lidar com a solidão e evite-os. São eles: viciar-se em trabalho, comprar compulsivamente, cultivar a autocomiseração. Essas atitudes agravarão os sentimentos e os efeitos negativos da solidão. Segundo: cultive atitudes positivas diante da solidão. Como isso é possível? Quais são essas atitudes? Vejamos algumas:

a) Tenha um propósito maior para sua vida – Não podemos fazer nossa felicidade depender de um único fator. Relacionamentos são importantes para nossa realização como seres humanos, mas há outras coisas importantes em nossa vida. Uma delas, certamente a mais importante, é ser fiel ao propósito da sua vida. O apóstolo Paulo, escrevendo na condição de prisioneiro, afirmou: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4.7).

b) Cuide de si mesmo – Não é porque alguém está sozinho que deva descuidar-se ou se maltratar. Você está sozinho, mas não precisa se castigar por isso. Não deixe de ir ao médico, de fazer exercícios, alimente-se bem etc.. É muito fácil que pessoas solitárias se deixem consumir por sentimentos de autocomiseração e autopunição.

c) Perdoe – Pior do que a solidão é o ressentimento. Sentir-se solitário e ainda alimentar ressentimento é receita certa para uma vida infeliz e miserável. Perdoe, dê uma segunda oportunidade para aqueles que fracassaram com você. Invista na reconstrução de amizades antigas e no cultivo de novos amigos.

Você se sente sozinho? Você está cercado de gente, mas ainda se sente sozinho? É importante que você saiba que Deus está ao seu lado e fará por você algo semelhante ao que fez por Paulo, que, se vendo abandonado por todos, afirmou: “… o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2 Timóteo 4.17).

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Por Rev. Valdinei A. Ferreira

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